segunda-feira, 27 de julho de 2009

1 Kg de feijão, 2 Kg de arroz, 1 Kg de salsichas e 3 pacotes de bolachas recheadas... Parece pouco?

Não gosto de dizer o que faço por aí, mas faço muitas coisas boas e às vezes nem tanto assim.
Já ajudei desconhecidos mais de uma vez e nunca me gabei por tais situações. Hoje vou dividir uma experiência com vocês.

Estava hoje com um grande amigo passando pela Avenida Paulista e perto do BOBs que tem quase em frente ao Conjunto Nacional um garoto chamou minha atenção:

"Tio, me compra arroz e feijão?"

Impossível simplesmente negar o pedido de uma criança por comida. A noite de hoje não estava das mais frias, mas o garoto estava sentado, encostado a um muro tremendo de frio sem parar. Uma cena tocante e triste... Fiquei arrasado, prá variar, pois ultimamente estou expert em carregar o peso do mundo nas costas.
Não pensei duas vezes e perguntei onde havia um mercado... O garoto apontou o Pão de Açúcar da Consolação e lá fui com meu amigo em busca comida, após a promessa do garoto de que ali esperaria.
No trajeto foi a vez de meu amigo ter sua chance de fazer uma boa ação. Encontrou uma vizinha desaparecida havia vários dias e avisou sua família. Voltamos e tentei levar o garoto comigo ao mercado, mas ele me disse que esperava por uma outra doação prometida. Então lá peregrinei novamente ao mercado e comprei 1 Kg de feijão, 2 Kg de arroz, 1 Kg de salsichas e 3 pacotes de bolachas recheadas. Não é muito, mas foi o que pude fazer naquele momento.
No retorno, enquanto meu amigo dava as coordenadas do paradeiro da fujona para sua família, fiquei pensando em todas as pequenas coisas que podemos fazer para ajudar, mas que simplesmente não fazemos, seja por pressa, ou por mau-humor, até mesmo por falta de fé e solidariedade... Por alguns instantes pensei em quão frustrante seria chegar ao local marcado e não encontar o garoto. Mas ele estava lá, tremendo de frio, esperançoso, confiando em minha promessa de retorno.

- Por que você está aqui?
- Porque eu preciso levar comida prá minha casa.
- Onde você mora?
- Na Aclimação.
- E sua mãe?
- Está tomando conta dos meus irmãos.
- Quantos irmãos você tem?
- Tenho 6, mas 2 moram com o pai.
- E sua mãe, não trabalha?
- Ela puxa carroça...
- Você vai a escola?
- Vou sim, estudo no Roosevelt.
- Não pode deixar de estudar, senão sua vida vai ser sempre difícil assim.
- Eu sei, minha mãe sempre fala isso. Não vou parar.

Mostrei o que havia comprado e vi um sorriso imenso na hora das salsichas (que criança ou adulto não gosta, não é mesmo?).

Pedi-lhe que fosse embora para casa, pois estava agoniado vendo-o com frio. Ele pegou as coisas (a outra promessa feita por uma mulher que vi de longe também foi cumprida) e caminhou até o ponto de ônibus com a certeza de que a refeição de hoje à noite e talvez de amanhã estavam garantidas. E eu, uma mistura de alegria e profunda tristeza, nem preciso dizer por que né???

Cheguei em casa com o coração apertado, pois nem sempre pude ajudar, mas sei que um dia farei algo maior. Na verdade estou fazendo algo maior agora e se este texto tocar o seu coração, como a cena do garoto trêmulo tocou o meu e o da mulher desconhecida, já terá valido à pena.

Como disse no começo do post, não vim aqui para me vangloriar por ter feito algo, vim aqui pedir a ajuda de todos os que lerem este texto.

NÃO QUERO O SEU DINHEIRO, QUERO O SEU CORAÇÃO NESSA CAUSA. VAMOS AJUDAR A ERRADICAR A FOME EM NOSSA CIDADE.

Texto real, fato vivido por mim hoje.

Em tempo, a missão de meu amigo também foi cumprida e a garota está agora de volta em sua casa, livre do marginais que a rodeavam.

DEUS ABENÇOE A TODOS VOCÊS.

Um comentário:

Felipe disse...

Pois é Kleber! Situação que vemos praticamente a todo instante aqui em SP, e não só aqui, infelizmente.
Mas eu penso que nós, por querer ou não, acabamos por nos acostumar com essas situações trágicas. Agimos, muitas vezes, como se esse pessoal sofrido fosse apenas parte do cenário da cidade.
Mas não são!

Muito legal, vou colaborar como posso na sua causa!
Abraço!