quinta-feira, 23 de outubro de 2008

UMA TEMPESTADE TROPICAL...

Uma grande tempestade tropical...

Seus olhos são dois faróis, iluminando a noite tempestiva e me indicando o caminho para um lugar seguro...
Como se estivesse encantado pelo canto da sereia lá me vou ao seu encontro e descubro que és não só meu porto seguro, mas também és a tempestade.
Mostra a direção da felicidade, mas antes disso me desnorteia, rouba-me a bússola da vida e meu norte pode estar em qualquer lugar...
Sem rumo, sigo encharcado pelas águas cristalinas que você faz questão de verter sobre minha cabeça num banho de ondas gigantes, ondas de medo, ondas de prazer, ondas que sussurram algo incompreensível aos meus ouvidos...
Arrastado pela ventania caio num lugar vazio. Uma imensidão repleta de nada, repleta de ausências e nessa imensidão, com a consciência recobrada avisto você longe, já não estou mais no olho do furacão que você se tornou...
Arrancou casas, árvores centenárias, tirou-me do chão, mas passou... Deixou para trás um rastro de destruição e fiquei sem saber exatamente onde fui parar...
Como um carro com as rodas para cima, girando e girando sem parar estou agora.
Caminho em sua direção, mas vejo você longe, distancia-se da mesma forma que chegou, com extrema velocidade.
Por mais estranho que possa parecer sinto falta de estar no centro da tempestade, voando, sendo levado sem destino e apesar de já não estar mais em apuros sinto o seu cheiro, sinto a sua fúria e percebo que sobrou somente a brisa leve para aguçar as memórias.
Longe, sei que outros sentirão a sua presença. Alguns hão de sentir uma leve brisa, outros sentirão uma tormenta fortíssima, mas por ninguém passará despercebida, temível tempestade. Alguns livrar-se-ão de ti, mas outros, infelizmente perderão a vida por sua causa.
A grande verdade é que nunca deixarás de existir e de tempos em tempos ouviremos falar em você e em seus estragos...
Então, uma série de imagens desconexas virão de minha memória para que eu me lembre da doce e terrível fase em que eu estava à sua mercê e num misto de medo e desvario, não te acharei assim, tão cruel.

Nenhum comentário: